Sunday, 2 March 2014

Friday, 14 February 2014

Quanta dor de voltar pra essa cidade. Vontade de olhar no seu facebook, saber mínimas coisas da sua vida, pistas. Minha razão está certa de que você não é pra mim. Meu coração apertado queria que fosse sim. Que dor de voltar.. mas também algum alívio em enfrentar essa situação logo, afinal, eu vou continuar voltando. Passar perto de você e não poder te chamar, abraçar. Tanta raiva você jogou da última vez...tanta mágoa. O que eu sinto é saudade de alguém que eu conheci ainda em Aracaju. O que eu fui depois disso eu não quero mais ser. Queria tanto poder te ver bem...

Saturday, 18 January 2014

um dia a gente sai da estória. as vezes a gente sai a noite. a tarde. as vezes tipo no meio do dia que é quando ninguém espera que a gente esteja de saída. ou entre três e quatro da manhã que é quando ninguém tá acordado para perceber a partida. no meio das separações eu sempre sinto um espremer umbigo. lamentos de eventos que não demonstraram sinais de fim. des conexões que seguem se espalhando. a deus. em teias de narrativas. des prendidas.

17.1.14
des apegando
---- apagando

Sunday, 15 December 2013

another writer

literally another writer, trying to be another person, a better person. I desperately want to grow up!
All this videos about education, I just can't well educate my own child if I'm also a child in my behavior.
I have primitive feelings as any other person but I have enormous difficulty to manage them and don't allow them to control myself. I want to be what I choose to be. I need my 'voice' to calm down my emotions. "You (emotion) is not on command here, you are free to exist, but not to speak in my place"
Change is hard.
You should really want it to make it happen.
Normally bad consequences help us to care enough about it.



Thursday, 24 October 2013

hereditárias


o bebê real. de pensar assim. que existe. um bebê real. o batismo. do bebê real. na moral. na absurda realidade do conto da realidade propagada por alguma companhia de seguros que você paga todo mês para te garantir garantias. me pergunto. onde é que vão parar os restos de todas as quinquilharias domésticas que a humanidade terá acumulado numa época em que os netos da nossa geração estiverem velhinhos? olha geraldo, eu, sinceramente, não sei. hoje é dia vinte e quatro de outubro. se a rainha elisabeth fosse eu, ela estaria em taubaté agora.

24.10.13
1:54am

Tuesday, 22 October 2013

cindy


preta. branca. marrom. olha pra mim. deitada na cama. quase se apagando-se ela. se mistura-se com o edredom roxo. eu, que vou deixar este móvel a qualquer momento. estatura pequena. eu poderia morar dentro de um guarda-roupas. dentro de uma caixinha de sapatos. eu poderia me esconder em sacos. pular em muros. eu poderia ter nascido você. me lançar pra cima. andar descalça. sem calça. sem vestido. eu poderia caçar bixo. lagartixa. beber a água da poça. arranhar a perna do moço. fazer rimas mais simples para uma vida cheia de pêlos coloridos. pêlos meios das grades do povo. quais eram os seus limites? patas tetos das casas alheias. olhando tudo por seus próprios ângulos. sentindo a vida nesta estrutura. de trinta centímetros. de gato.

22.10.13
5:17pm

Monday, 21 October 2013

lunes


eu não sei se é essa lua cheia. ou a barriga que ta mexendo acelerada. a ânsia da ansiedade de um breve apelo de novas estruturas externas. pedi a deus uma carta-convite. caixa do correio vazia. e um milhão de coisas na cabeça. a mente atormentada. comprei livros de meditação mas aqui do lado tem um prédio em construção. ouvido não fecha quem nem boca. se eu fechar a boca, não entra mosca. mas a cabeça não para. os dedos, o teclado, a tela. a paca, o tatu, a pausa. respiração em quatro tempos para começar a semana. sonhos mais realistas para viver as possibilidades ao redor da pele. terra a vista. ou parcelada?

21.10.13
12:12pm

Thursday, 17 October 2013

river side under or above


ela cresceu acreditando que ele seria forte e, ela, frágil. ele cresceu acreditando que ela seria frágil e, ele, forte. ela cresceu e, percebeu-se, também, força. ele, fragilidade. sofreram as incertezas da busca de uma verdade unilateral assumida como pré-requisito comportamental. sofreram. olhando no olho do outro, a simplificada existência de seres sofrendo a ação do atravessando tempo nas solas dos pés seus. buscaram justificativas. queriam encontrar explicações. talvez, estejamos, em busca da união dos pontos espalhados dentro de nós mesmos. sou uma bolinha. no espiral da vida, posso-me crescer como a semente que se brota-se até ser integralmente árvore. a história da borboleta. somos parte da natureza. existe um fluxo. uma complexidade possivelmente simples que , talvez, só conseguiremos compreender, quando aprendermos, a ser.

17.10.13
2:37pm

Sunday, 13 October 2013

poesia



pipoca branca que estouras entre saturados óleos quentes. queima-me a alma. arranha-me a gengiva. salga-língua. e surpreende os magos dos bosques azuis, num mundo de sofisticados gnomos verdes.

13.10.13
meia noite e dezenove
em outra parte do planeta

Friday, 11 October 2013

letting

o que suzana disse em seu leito de morte: 
minha filha, a paixão não muda o estado natural do objeto de paixão do apaixonado. as coisas são o que são.
fim.

11.10.13
2:27

Tuesday, 8 October 2013

meio


mudanças são tremendamente assustadoras. acreditar pode gerar espaço para que a realidade exponha-se dando-lhe uma amostra gratis num palito de sorvete premiado. saudosismo sabor de nada. nostalgia não dá futuro. sinto falta do seu lenço, florencio. frio. mesmo sem fogo, a sensação de que a lareira existe já era esperança. o eterno inverno nos deixaria desesperados nessa luz de janeiro-noite. duas primaveras. outonos passaram. três e quatro. eu preciso superar esta falta de sonhos.

9.10.13
3.4am

Saturday, 5 October 2013

tic tac


penso. vejo. minha vida. as pessoas que conheço. que conheci. as escolhas que fazemos. as que nao fazemos também são escolhas. causas. consequecias. vejo minha vida. e me pergunto se fiz o melhor por mim. nao adianta quantificar. nem qualificar. fiz o que fiz. e mudei. cobrar dividas ao espectro não soluciona o momento. agora. não me ajuda muito. não altero o passado. tenho a possibilidade de mudar meu olhar sobre ele. é só. me pergunto se. se. se. mas aí não adianta. atrasa. não adianta nada adiantar o que ainda não chegou. ansiedade é um mal contemporâneo. vejo você. suas escolhas. você fez essas escolhas. ou deixou plutão governar seu destino? em impulsos e preguiças. entre medos e angustias. que te impediram fazer outras. eu me vejo. ja passou algum tempo. vai passar mais. a morte ainda me choca. ela me toca. ela está presente no presente. a cada instante. me expondo a fatalidade do fim de cada historia. desta. a vida vai acabar. a oportunidade vai passar. eu estou morrendo. você também. eu estou viva. talvez eu deixe esta vida passar sem mexer em nada. por apego. e teimosia.


5.10.13
8:47am

Monday, 16 September 2013

ultimos


o caso é que meu dono esqueceu-se dos meus instintos essenciais. eu era uma peixe. sim, peixa. nao uma gueixa. e ele me queria preencher com racao. eu nao gostei. me enterrei bem no meio, entre aquelas pedrinhas artificialmente coloridas e o vidro que dava pra sala. mantive-me de olho aberto, pra fora. demonstrando, propositadamente, o desencanto daquela vida televisionada.


16.9.13
7.39pm

Sunday, 8 September 2013

o maior medo

uma hora isso ia acontecer. e eu achava que nunca estaria pronta. te olhar assim, distante. me apresentei educadamente. senti o estomago expremer num choro. tive vontade de cantar um grito. para que ate alem das estrelas sentissem a minha infinita dor de medo. temi tanto mais que a morte. que um coro de vozes histericas soaram dentro de mim. me esforcei para manter a docura. mas quase cai pra debaixo daquele tapete estampado. nao consegui mexer o rosto. nem forcar um sorriso de simpatia humana. fui engolida por mim. atravessada por cem milhoes de anos que passaram pela tela de cinema em um segundo. todas as coisas que nao-foram. a perda do preterito perfeito. o futuro sem isso assusta tanto que nao sei nem me representar nessa acao de abandono. mas eu que gostava tanto daquele vestido florido, me olhando assim, pareco meio sem graca. sem raca. num suspiro amanheceu. eu, sem respirar. tocou a musica do adeus. e eu perdi tudo. agora sao sete horas. estou aqui olhando para porto nenhum. sentada no meio do barco. nua. entre o atlantico e o pacifico. tententado encontrar a paz de espirito. te vejo navegar longe. eu, aqui. ainda ser saber onde. e se. encontrarei terra firme de novo.

Saturday, 7 September 2013

texturas

o céu está lilás. eu li, lilí. ta ta ta. é parte da partitura. aulas com fofinho. fragmentos musicais. imagens sensoriais. suor. cílios. céu. sabor de creme de maracujá escorrendo pela língua roxa de celeste. palavras ditas pela metade tem significado dividido por dois? assim. assado. quem sabe, sabe? quem sabe? o sabiá. assovia ou assobia? você acredita em assombracao? sem sombra de duvidas, camaleoes existem em sao luis. invariavelmente. caso contario, nao haveriam as grandes migracoes de minhocas decorativas ao espaco sideral nesta época do ano.

unpê

o que uma pipoca tem em comum com uma pomba? pês. pés. partes. protons. o mesmo planeta. horas bolas oras bolas. circunferencias. a pipoca vem do milho que vem da espiga da planta plantada do milho. a pomba vem do ovo que vem de dentro da pomba fecundada que bota o ovo. de onde vem o universo? o ninho. os netos. as quireras que se come na praca. o cedilha que te escapa no espaco. ex-pele. poe. aquece. transforma. estoura. e se espalha. criando algo novo no mundo. num mundo. num mundo. num mundo.

Thursday, 5 September 2013

co-roendo

e falando em bandas, teve esse cara que eu sai uma vez. ele me chamou para passear no shopping de sao jose dos campos. depois me explicou que a saudade que sentia de sua ex namorada era como a ferida de uma carie viva no meio de seu coracao. eu tinha dezesseis anos. ele vinte e tres. nao me importei com sua saudade. eu compreendi sua dor. mas a imagem daquela carie em carne viva foi forte demais para mim.

só se anda

saiu uma voz estranha de mim. procurei entao uma voz conhecida. e o que era conhecido. habitual. confortavel. hein? com tantos sotaques difusos, tive de aceitar a solidao de ser só. só, se pode mudar de lado. ou de roupa. mudar de gosto. e de rosto. dormir de bermuda jeans. ou sem roupa toda nua. e só, na solidao, estava sendo aquilo que sou. ou nao eu. nao eu. é a mesma coisa afinal. nao existe igual.

musica de fundo

ouviamos teeneage fanclub deitados num sofa estampado. uma fita cassete que voce me deu de aniversario. uma capa de cd com pinturas de giz de cera. voce escreveu uma frase bonita na frente. mas o tempo apagou a tinta da caneta bic. voce casou e teve tres filhos com nomes comecados com a letra g. e eu comecei a colecionar guitarras importadas sei la de onde.

Friday, 30 August 2013

vinte e nove dividido por tres

1.

eu nao era eu. eu era um nome. uma carteira. uma nota de dinheiro. um diploma de parede. eu nao era eu. eu era um número. um cabelo. um camelo. eu não era eu. eu era um formato. um requisito. um desenho. um desejo alienado. eu era um pacote de bolacha de plástico. um pote de margarina industrializada sem gosto. nem gostar daquilo eu gostava. mas você me convenceu que era certo. e eu pra não contrariar não contrariei.

2.

deixe a tristeza ser. sem diagnostico. nem nome de remédio. sem medo. nem argumento. simples. e verdadeiramente. só deixe a tristeza ser.

3.

propaganda de maquiagem. protagonistas de novela. personagens que falam com susurros. jingle. promessas. dicas para ficar mais bem vestida. talheres. como limpar melhor a pia do banheiro. organização das meias no guarda-roupas. para onde foi o menino que fugiu de casa. para onde vai o espirito da lagartixa? tem hora que a gente perde o rabo. tem hora que a gente perde o rumo. tem hora que a gente perde a gente. hoje acordei sem vontade de escovar os dentes.